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Copa Libertadores 1999: Como o Palmeiras Conquistou a América pela Primeira Vez
Foto: Cesar Greco / Palmeiras

Copa Libertadores 1999: Como o Palmeiras Conquistou a América pela Primeira Vez

Em 1999, o Palmeiras escreveu um capítulo eterno na história do futebol sul-americano ao conquistar sua primeira Copa Libertadores.

O Sonho Que Durou 23 Anos

Quando a final da Copa Libertadores de 1999 terminou, o Palmeiras finalmente havia conquistado o troféu que lhe escapara nas mãos por mais de duas décadas. Era 30 de junho de 1999. O Estádio da Palestra Italia explodia em delírio. Vinte e três anos — essa é a quantidade de tempo que o torcedor palmeirense precisou esperar desde a fundação do clube para levantar a taça continental. Naquela noite, toda São Paulo vibrava. As ruas se enchiam de gente verde e branca. Buzinas soavam por toda a cidade. Era mais do que uma vitória no futebol; era a confirmação de que o Palmeiras era, de fato, um dos grandes da América do Sul.

O caminho para esse título histórico começou meses antes, quando a diretoria palmeirense e o técnico Luiz Felipe Scolari traçaram um plano ambicioso. O Palmeiras era bicampeão brasileiro (1993 e 1994), mas havia fracassado em suas tentativas anteriores na Libertadores. Aquele era o momento. Era necessário reunir talento, disciplina e disposição para conquistar a supremacia continental.

A Construção de um Elenco de Campeões

Quando Scolari chegou ao Palmeiras, o clube possuía uma base interessante, mas precisava de reforços estratégicos. O treinador exigente e conhecedor do futebol sul-americano sabia exatamente o que era necessário. O Palmeiras contratou Rivaldo, então com 27 anos e em seu auge técnico. O meia-atacante pernambucano trazia a qualidade ofensiva que faltava. Mas Rivaldo não estaria sozinho.

O time foi montado com cuidado cirúrgico. Na defesa, o Marcos era uma muralha no gol, um goleiro de personalidade forte que inspirava confiança em toda a linha defensiva. Na zaga, Gustavo Mioto e Arce formavam uma dupla sólida, complementados pelo desempenho excepcional de Júnior Baiano na lateral-esquerda — um jogador versátil que podia atuar como zagueiro também. Na lateral-direita, Paulo Nunes oferecia segurança e chegada.

O meio de campo era o coração da equipe. Zinho, um meio-campista equilibrado e de grande visão de jogo, dirigia as ações do Palmeiras. Djalminha, com sua técnica refinada, criava as oportunidades. Felipe provia trabalho defensivo e proteção à zaga. Essa combinação criava a base tática que Scolari precisava: solidez defensiva com criatividade ofensiva.

No ataque, além de Rivaldo, havia Arce na ponta-esquerda — um extremo rápido e desequilibrador que atormentava os laterais adversários. Euller na ponta-direita trazendo velocidade. Essas peças, quando encaixadas corretamente, formavam uma máquina ofensiva muito difícil de conter.

A Campanha: Passo a Passo Rumo à Glória

A Copa Libertadores de 1999 foi disputada em formato de grupos seguido de mata-mata. O Palmeiras foi conquistando sua passagem através das fases com autoridade progressiva. A equipe de Scolari jogava um futebol ofensivo mas disciplinado, explorando as laterais onde tinha seus pontos fortes, mas mantendo a compactação defensiva que era a marca registrada do técnico.

O que distinguia este Palmeiras era sua consistência. Não havia oscilações violentas de rendimento. A equipe jogava para vencer, pressionava o adversário nos minutos iniciais de cada tempo, tentava abrir o placar cedo e depois controlar o jogo. Rivaldo era o maestro dessa sinfonia — sua capacidade de criar com a bola, sua inteligência de movimento e sua frieza na finalização faziam diferença a cada partida.

Conforme as rodadas passavam, crescia a sensação de que aquele era o ano. Havia uma aura de destino ao redor daquele grupo de jogadores. Após semanas de futebol intenso e pressão psicológica, o Palmeiras chegou à final da Copa Libertadores de 1999 para enfrentar o Deportivo Cali, representante colombiano que havia surpreendido a todos com sua campanha.

A Final: Cali e a Volta Triunfal

A final seria disputada em duas mãos: primeiro em Cali, depois no Estádio da Palestra Italia, em São Paulo. Na Colômbia, o Palmeiras enfrentou um Deportivo Cali competitivo e organizado. O primeiro jogo terminou empatado — um resultado que, embora não fosse uma vitória, deixava as esperanças palmeirenses intactas. Rivaldo e seus companheiros não ficaram frustrados. Sabiam que tinham o poderio ofensivo para ganhar em casa.

A volta foi gloriosa. No estádio que havia acompanhado as glórias e as frustrações do Palmeiras ao longo de seus anos, a equipe de Scolari entrou em campo determinada. O apoio da torcida era ensurdecedor desde o primeiro minuto. A Palestra Italia vivia noites de futebol intenso, de partidas que definiriam o futuro do clube.

Quando o gol saiu, quando a bola finalmente ultrapassou a linha de meta do Deportivo Cali pela segunda vez na série, a explosão foi total. Lágrimas corriam pelas faces dos jogadores. Rivaldo, o estrangeiro que havia ajudado a abrir essa porta, abraçava seus companheiros. Marcos no gol saltava em comemoração. A Palestra Italia vibrava.

O Significado: Mais Que Um Troféu

Conquistar a Copa Libertadores em 1999 não era apenas ganhar um troféu. Era validar a história do Palmeiras como clube grande. Era encerrar uma narrativa de frustração que datava de 1976, quando o clube foi fundado modernamente. Era dizer ao Brasil e à América do Sul: o Palmeiras está aqui, o Palmeiras é um campeão continental.

Os números falam por si: em 1999, o Palmeiras conquistou seu único título continental da década de 1990, um período dominado pelas equipes brasileiras. O clube havia apenas se consolidado como força nacional (bicampeão em 1993 e 1994), e agora era uma força internacional. Rivaldo partira após o título — viajaria para a Europa e teria uma carreira magnífica — mas deixava seu legado. Suas atuações na Libertadores haviam sido decisivas.

A torcida palmeirense comemorou como apenas torcidas de clubes que esperam décadas por títulos continentais conseguem comemorar. As ruas de São Paulo se tornaram verde e branca. As famílias palmeirenses que haviam crescido ouvindo histórias de "quando conquistarmos a Libertadores" finalmente poderiam dizer: conquistamos.

O Legado de 1999

Vinte e sete anos depois, aquele título de 1999 continua sendo parte da identidade palmeirense. Não é apenas um troféu em uma vitrine. É um marco histórico. É o momento em que o Palmeiras deixou de ser apenas um grande clube brasileiro e se tornou um grande clube sul-americano.

Os jogadores daquele elenco — Rivaldo, Marcos, Zinho, Djalminha, Júnior Baiano, Arce — não são apenas nomes em uma lista. São heróis que ajudaram a escrever uma das capítulos mais importantes da história do clube. Luiz Felipe Scolari não é apenas um técnico que ganhou uma taça. É o técnico que abriu a porta para o Palmeiras.

A Copa Libertadores de 1999 foi o ponto de partida. Vinte e dois anos depois, o Palmeiras conquistaria mais dois títulos continentais (em 2020 e 2021), mas aquele primeiro será sempre especial. Será sempre o título que mudou tudo. O título que provou que o Palmeiras não era apenas grande em São Paulo. Era grande na América.

Quando os torcedores palmeirenses recordam da Copa Libertadores de 1999, recordam de um momento em que seu clube finalmente reivindicou seu lugar entre os grandes. E esse lugar, conquistado com mérito, sangue e suor, jamais será esquecido.

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